A administradora do Hospital Cemil, Renilde Ana Puschel de Alvarenga, foi ouvida na manhã desta terça-feira (28) em mais uma reunião da CPI da Covid. Além de Renilde, era esperado o administrador do Instituto Nossa Senhora Aparecida, Cristiano Derenusson Nelli, porém, não foi possível localizá-lo para que fosse formalizada sua convocação.
Como de costume, a reunião se iniciou com a presidente da comissão, vereadora Ana Novais, que apresentou os trabalhos, assim como os propósitos da oitiva junto à testemunha. Dentre as perguntas, Renilde foi questionada se ela possuía alguma empresa em seu nome, o que ela afirmou não ter.
Renilde também falou sobre os leitos de UTI e de enfermarias que foram contratados pelo CEMIL no combate à pandemia, sendo, ao todo, 10 leitos de UTI e outros 10 de enfermaria. O hospital foi credenciado para o atendimento de pacientes acometidos pelo Covid 19 e recebeu aproximadamente R$ 12 milhões em recursos públicos, mediante ao Fundo Municipal de Saúde, responsável por gerir os recursos públicos destinados ao Município de Umuarama.
Tais valores foram destinados para o pagamento de leitores e enfermarias, bem como serviços médicos, assim como na compra de medicamentos e insumos utilizados para a prestação de serviços de enfrentamento à pandemia e atendimento de pacientes infectados.
REPASSES A CÍCERO LAURENTINO
Um dos pontos mais relevantes da oitiva foi à confirmação de que o hospital efetuava pagamento de R$ 2 mil para a empresa de Cícero Laurentino, ex-diretor do gabinete de gestão integrada da Prefeitura Municipal de Umuarama, o qual se encontra detido pela operação metástase por indícios de seu envolvimento nos supostos desvios de recursos públicos do Fundo Municipal da Saúde.
O dinheiro era repassado para fosse o cadastramento de emendas parlamentares junto ao Ministério da Saúde. Os R$ 2 mil eram pagos por cadastro, indiferente do valor. As emendas parlamentares são oriundas de recursos destinados por deputados federais e estaduais para municípios. Ao todo, o Hospital foi contemplado entre 2020 e 2021 com aproximadamente R$ 4 milhões, destinados por diversos deputados.
Outra confirmação foi de que ela teria falado algumas vezes com Cícero sobre assuntos relativos ao repasse de recursos. Também confirmou ter tido contato com Valdecir Miester, que está detido apontado como líder do esquema criminoso no desvio dos recursos da saúde municipal.
Mais um ponto relatado por Renilde em se tratando de Valdecir Miestes, é de que ele ofereceu ao hospital máscaras de proteção contra o Covid 19, as quais teriam sido compradas com desconto. Toda a operação se deu mediante o fornecimento de notas fiscais da empresa de Miester, conforme Renilde.
PRÓXIMOS DIAS
Ao final da reunião de hoje, os vereadores integrantes da comissão: Ana Novais – presidente, Ednei do Esporte – vice-presidente; Mateus Barreto – Relator e Cris das Frutas e Sorrisal como membros, aprovaram requerimento de convocação da esposa de Valdecir Miester, Vani Miestes, proprietária da empresa Vani Soares dos Santos Miester, a qual também é investigada pela operação Metástase como suspeita de fraude contratos firmados com a administração pública.
A oitiva com Vani está agendada para às 10h do dia 05 de outubro. Antes dela, às 9h, seu esposo, Valdecir Miester, será ouvido por videoconferência direto do Centro de Internamento e Reeducação de Brasília, onde se encontra detido.


