“Disseram que eu não era capaz por estudar na Apae, mas eu provei que sou exatamente igual a qualquer um”. A frase, de muito impacto, é dita por Fabrício da Silva, que trabalha como repositor no supermercado Musamar. O depoimento faz parte do vídeo idealizado pelo Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência e foi produzido pela Secretaria Municipal de Assistência Social de Umuarama para lembrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.
Os bons exemplos de grandes profissionais, todos eles com algum tipo de deficiência, estão no vídeo de cinco minutos que está nas redes sociais da Prefeitura e também será repercutido nas escolas e em outros órgãos da administração pública. “Também gostaríamos de convidar toda a população para que nos ajude a divulgar esse material, que é uma fonte de estímulo não só para pessoas com deficiência, mas para todos os que, de certo modo, ainda acreditam que limites não podem ser superados”, diz Ivo Galdino da Silva, presidente do Conselho local.
Os exemplos não param em Fabrício, que há 15 anos é funcionário do Musamar. Passa pelo depoimento da jovem Sheila Regina Guerini, que é professora de artes visuais. Ela nasceu surda e foi aluna da Assumu desde os três anos e hoje é formada por duas universidades e está terminando sua terceira graduação. Oséias Silva dos Santos, que tem grave problema de visão, é servente geral na Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, responsável pela manutenção de todas as praças esportivas da cidade. “Eu estou aqui não para preencher cotas ou por minha deficiência, mas por minha capacidade de trabalhar, de produzir. Não devemos ser réus da deficiência”, declara.
O próprio Fabrício da Silva acrescenta sobre o preconceito que as pessoas têm sobre aqueles que estudam na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais): “Muita gente me pergunta: o que é que eles ensinam na Apae de tão importante? E eu digo: eles ensinam sobre a vida, sobre trabalho, sobre família… exatamente o que é aqui, onde somos uma família. Qual é o problema de ser um aluno da Apae?”, questiona.
Sérgio Henrique Silva, vendedor na Casa dos Parafusos, também é contundente ao falar sobre vencer barreiras. “Você que tem uma deficiência e quer trabalhar, corra atrás, procure uma empresa, porque qualquer empresa pode se adaptar ao seu modo de trabalho para que você possa sempre dar o seu melhor”, orienta, ele que tem paralisia cerebral que lhe limita os movimentos de braços e pernas, mas jamais sua capacidade de lutar.
Finalmente Paulo Rafael de Oliveira, de 40 anos, técnico em mecânica da Sanepar que foi diagnosticado tardiamente como autista aos 38 anos. “Durante toda minha vida fui discriminado quando passava por crises, que se pareciam com as de epilepsia. Nunca desisti, nunca deixei de trabalhar. Tomo hoje os mesmos medicamentos que tomava desde a infância e atuo na gerência regional da companhia no setor de compras. Nada é impossível”, fala.
O vídeo foi apresentado para membros do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência nesta semana e as reuniões estão sendo feitas de forma híbrida, com participações presenciais e on-line. E, como explica a secretária Glaucia Yamamoto Moreno de Freitas, o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, comemorado em 21 de setembro, existe desde 1982 no Brasil. “É possível termos políticas de inclusão que garantam um mundo mais acessível para todos os seres humanos. Para isso, é preciso aprimorar cada vez mais as formas de comunicação, as empresas e o mercado de trabalho, a mobilidade urbana, arquitetura e, acima de tudo, promover a conscientização da sociedade por meio da informação”, resume.

