Se você ainda não ouviu falar sobre Ozempic, Wegovy ou Mounjaro este ano, é provável que em breve esbarre com esses nomes em conversas sobre tratamento de obesidade e perda de peso. O que está por trás desse fenômeno? Como esses medicamentos conquistaram espaço não apenas no tratamento médico, mas também na busca por estética e emagrecimento.
O boom dessas “canetas emagrecedoras”, como são popularmente chamadas, entre pessoas que já estão dentro dos padrões de peso está intrinsecamente ligado a diversos fatores. Entre eles, a perda de peso rápida proporcionada por esses medicamentos, seus efeitos colaterais considerados leves, a acessibilidade sem a necessidade de receita médica e, sobretudo, o sucesso estampado nas redes sociais.
Vale ressaltar que tanto o Ozempic, produzido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, quanto o Mounjaro, desenvolvido pela norte-americana Eli Lilly, são originalmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2. A utilização para obesidade e sobrepeso é feita de forma off-label, ou seja, fora das especificações da bula, permitida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).Já o Wegovy, também da Novo Nordisk, é o único entre os três medicamentos indicado exclusivamente para o tratamento da obesidade ou sobrepeso com comorbidades, como diabetes, hipertensão arterial e insuficiência cardíaca.
Apesar do potencial desses medicamentos, especialistas apontam que o alto custo ainda é uma barreira para um uso mais disseminado. A automedicação também é um risco, visto que o protocolo de dosagem segue um escalonamento até atingir a dose máxima suportada pelo paciente.
Erros na dosagem podem potencializar efeitos colaterais e resultar no desperdício do medicamento, que possui um custo considerável. Os três medicamentos são considerados inovadores no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. A substância ativa, a semaglutida, simula a ação do GLP-1, um hormônio regulador do nível de açúcar no sangue. Além de controlar a glicemia, a semaglutida atua nos receptores do sistema nervoso central para controlar o apetite e retardar o esvaziamento gástrico, resultando em uma redução significativa da ingestão de alimentos.
Estudos mostram que a semaglutida pode levar a uma perda de peso corporal de até 15% após 17 meses de uso, especialmente na dose máxima do Wegovy (2,4 mg). Comparativamente, outros medicamentos para obesidade apresentam uma redução de peso entre 6% a 10%. Uma análise entre Wegovy e Ozempic em pessoas com diabetes tipo 2 demonstrou uma perda média de peso de 9,64% para aqueles que utilizaram a dose de 2,4 mg de semaglutida por semana, em comparação com 6,99% para aqueles que receberam 1 mg.
