Pecuaristas e agricultores que quiserem integrar as atividades, aumentar a produção e recuperar o solo terão agora o apoio do município por meio do Programa de Integração Lavoura e Pecuária (ILP), lançado nesta quinta-feira, 5, no Anfiteatro Haruyo Setogutte. O projeto é resultado de estudos realizados com apoio da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e da Cooperativa Cocamar, além da Rede ILPF – Integração Lavoura-Pecuária e Florestas), e se destina à região do arenito caiuá.
O lançamento reuniu representantes do setor produtivo, como as cooperativas Cocamar, Coamo e C.Vale, Banco do Brasil, Sindicato Rural de Umuarama e sindicato patronal do setor agrícola, além do prefeito Celso Pozzobom e do diretor de Agricultura e Pecuária do município, Vinícius Chimenez. “A região tem bons exemplos de propriedades que empregam as técnicas com sucesso, porém Umuarama precisa alavancar essa prática para aumentar a renda dos produtores e o Valor Bruto de Produção (VBP) do município”, explicou o diretor.
O presidente do sindicato rural patronal, Gerson Bortoli, aderiu à integração em 2004 com a orientação técnica e acompanhamento da Cocamar. Desde então a rentabilidade de sua propriedade rural só aumentou. “Conseguimos recuperar áreas degradadas e promover reformas praticamente a custo zero. Este projeto precisa ser entendido e aceito pelos produtores, pois os resultados são impressionantes”, testemunhou.
Para o professor Júlio César Guerrero, da UEM, é incômodo ver a região sofrendo com a degradação do solo e a baixa produtividade, “por isso precisamos melhorar as condições do produtor com inovação e novas tecnologias. A UEM tem áreas disponíveis para cultivos modelo e também apoia o ILP”, completou.
O prefeito Celso Pozzobom lembrou a época em que chegou a Umuarama, na década de 1960, e comentou sobre mitos que limitaram o desenvolvimento agropecuário no arenito caiuá. “Diziam que aqui não poderíamos construir prédios, porque o solo não suportava, e olhem como a cidade está hoje. Da mesma forma, diziam que a terra não servia para produzir soja e outros grãos, mas já sabemos que produz muito bem”, afirmou.
Agora é a hora de recuperar as áreas degradadas, acrescentou o prefeito. “Para isso a Prefeitura oferece a integração lavoura pecuária com assistência técnica, apoio em maquinário e toda a atenção que o produtor precisar, junto com os parceiros. Mas a decisão de mudar o perfil precisa vir do pecuarista, que ainda tem muita resistência em relação à agricultura. Temos hoje 60 mil hectares de áreas degradadas no município, com baixíssima produtividade – uma cabeça de gado por hectare, enquanto a terra poderia suportar 4, 5, até mais”, lamentou Pozzobom.
O prefeito lembrou os esforços do município para apoiar o produtor, como estradas bem conservadas – mais de 130 km já foram readequados, cascalhados e até pavimentados –, o Programa Pró-Leite, que vem dobrando a produção leiteira, distribuição de insumos, equipamentos agrícolas, horas-máquina de pá carregadeira e assistência técnica, além de cursos, dias de campo e qualificações para os produtores.
A palestra foi realizada pelo agrônomo William Marchió, da Rede ILPF, e o diretor Vinícius Chimenez informou que o Programa de Integração Lavoura e Pecuária poderá ter seu funcionamento assegurado em lei, pois projeto neste sentido será votado pela Câmara de Vereadores.
NOVIDADE
Os bons resultados da integração entre lavoura e pecuária não são novidade, segundo o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço. Há cerca de 30 anos a cooperativa já desenvolve iniciativas do gênero. “Quem experimenta a integração em sua propriedade nunca mais volta à pecuária tradicional. A baixa produtividade é uma realidade nacional que afeta a vida dos produtores e a receita dos municípios. Com a integração, realizada dentro dos critérios técnicos, a rentabilidade obtida por hectare pode aumentar de R$ 700, R$ 800 hoje para R$ 7 mil ou mais”, defendeu.
A dificuldade maior é convencer o pecuarista sobre esse resultado, especialmente os que enfrentam dificuldade justamente pela baixa produção. “Esse projeto é a chance de aumentar a renda, ele é sustentável e bom para o meio ambiente. A Cocamar dará apoio total para quem estiver interessado, pois nossa equipe técnica foi treinada na Embrapa. Terras recuperadas aqui na região produzem igual aos melhores solos do país”, completou Lourenço.

