Durante os meses de julho e agosto, a Operação Resgate IV retirou 593 trabalhadores de condições de trabalho escravo contemporâneo, em todo o país. O número é quase 12% maior do que o de resgatados na mesma operação realizada no ano de 2023. Mais de 23 equipes de fiscalização participaram de 130 inspeções em 15 estados e também no Distrito Federal, realizadas entre os dias 19 de julho e 28 de agosto. Em Umuarama a inspeção teve início no dia 14 de agosto e nossa equipe acompanhou um pouco do trabalho das equipes que estiveram presentes em algumas empresas da cidade. Segundo o balanço da operação, não houve resgates no Paraná. Os estados com mais pessoas resgatadas foram Minas Gerais (291), São Paulo (143), Pernambuco (91) e Distrito Federal (29). Houve resgates em dez estados. Quase 72% do total de resgatados trabalhavam na agropecuária, outros 17% na indústria e cerca de 11% no comércio e serviços. Entre as atividades econômicas com maior número de vítimas na área rural estão o cultivo da cebola, da horticultura, de café, alho, cultivo de batata e cebola. Em coletiva de imprensa representantes dos órgãos públicos que fizeram parte da operação falaram sobre as ações desencadeadas em todo o país.
Alguns casos chamaram a atenção neste ano, como a ação fiscal realizada no Mato Grosso do Sul. Para alcançar os locais onde estavam os trabalhadores, a equipe de fiscalização utilizou transporte terrestre com caminhonetes, aéreo com helicóptero e fluvial por meio de lanchas. No Mato Grosso houve o resgate de uma trabalhadora idosa, com 94 anos de idade. É a pessoa mais idosa a ser resgatada no Brasil. Ela trabalhou por 64 anos sem salário, sem estudar e sem constituir família. No início da ação fiscal, ela cuidava da patroa, uma senhora com 90 anos adoecida com Alzheimer. Foi garantido à vítima o usufruto da casa onde morava, com todas as despesas pagas pela família da empregadora, incluindo a contratação de cuidador de idoso para ela, além do recebimento de um salário mínimo por mês.
