As ações da Campanha Novembro Azul surpreenderam as expectativas dos organizadores. Durante todo o sábado (20), foram 367 atendimentos, numa ação conjunta entre o curso de medicina da Unipar (Universidade Paranaense) e Secretaria Municipal de Saúde de Umuarama. Sob a coordenação do urologista e professor, dr. Alberto Tomé, alunos do terceiro ano realizaram o rastreio da doença. Durante o dia, foram coletados exames de sangue – o PSA e o toque retal – o exame físico capaz de diagnosticar um câncer de próstata.
O exame, aliás, assombra os homens desde muito cedo. Diferente das mulheres, que aderem anualmente à coleta do exame preventivo, eles evitam até mesmo falar sobre o assunto. “O balanço final ainda será confirmado esta semana, após a divulgação dos resultados dos exames. Mas a gente estima que cerca de 10% dos homens atendidos durante a campanha apresentaram alterações na próstata. Eles serão encaminhados para uma investigação, com a realização de biópsia e tratamento”, pontuou.
De acordo com o professor, essa resistência com o exame se deve aos mitos, tabus e preconceito que afastam o homem da prevenção. “Diferente de outras formas da doença, o câncer de próstata pode ser diagnosticado de forma precoce, com a realização dos exames de rastreio. Isso aumenta as chances de cura da doença para 90%”, explica.
Natanael Pereira Rocha, 49 anos, realizou o exame e tentou tranquilizar colegas que aguardavam na fila. “O exame não é esse bicho de sete cabeças. A gente cresce com isso na cabeça, mas é bobagem. É rapidinho e não dói nada. O resto é coisa da cabeça da gente”, disse.
Mas, isso não é o que acontece na maioria dos casos. Por ano, são 68 mil diagnósticos da doença em grande parte dos casos, em estágio avançado. Em contrapartida, apenas neste ano houve uma queda em 33% dos atendimentos urológicos no Brasil. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (INCA) e da Sociedade Brasileira de Urologia. “Infelizmente a estimativa é que vamos ter um aumento de casos nos próximos meses e, nas suas formas mais avançadas”, lamenta Tomé.
Foi justamente para tentar conter o agravamento da doença que os alunos e o professor idealizaram a campanha. “O nosso objetivo foi justamente atender esses homens, realizar os exames e, principalmente, encaminhá-los”, explica.
CAMPANHA CONTINUA
De acordo com Tomé, com o apoio dos servidores da unidade de saúde, todos os homens que participaram da campanha receberão os resultados dos exames e serão orientados. “Aqueles que tiverem resultados alterados serão encaminhados para a investigação e tratamento da doença”, pontua.
Na visão da enfermeira-chefe da UBS, Marcília Martins de Oliveira, esse foi um grande diferencial. “A adesão do público realmente nos surpreendeu. Tivemos uma grande procura por informações e atendimentos. O mais importante é saber que a ação não termina com os exames. Todos serão acompanhados”, relata.
O médico urologista orienta que mesmo quem não participou da campanha pode e deve buscar o diagnóstico precoce do câncer. “O novembro Azul e as campanhas passam, mas a prevenção precisa ser nosso objetivo o ano todo. Então é muito importante que os homens procurem um médico para realizar seus exames”, finaliza.

