Nesta quarta-feira, 7 de agosto, o Brasil marca os 19 anos da Lei Maria da Penha, uma das legislações mais importantes do país no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Criada em 2006, a lei representou um divisor de águas no combate à impunidade de agressores e no fortalecimento da rede de proteção às vítimas. No entanto, mesmo após quase duas décadas de sua existência, os números continuam alarmantes — e reforçam que a violência contra a mulher ainda é uma ferida aberta na sociedade brasileira.
Dados recentes do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM), publicado pelo Ministério das Mulheres, apontam que só em 2024 o Brasil registrou 71.892 casos de estupro. Isso equivale a uma média de 196 vítimas por dia. No mesmo período, foram notificados 1.450 feminicídios e outros 2.485 homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte de mulheres. Na prática, mais de seis mulheres são mortas de forma violenta todos os dias no país. E esse é apenas o recorte mais extremo do problema.
Antes que a violência física aconteça, há uma escalada silenciosa que começa bem antes dos primeiros tapas ou socos. Em muitos casos, a agressão começa com controle excessivo, humilhações verbais, críticas constantes, chantagens emocionais e tentativas de isolar a mulher de amigos e familiares. São formas de violência psicológica e moral, muitas vezes invisíveis, mas que destroem a autoestima da vítima e criam um ambiente de medo e submissão.
Com o tempo, esse ciclo se agrava e dá espaço à violência patrimonial, quando o agressor passa a controlar o dinheiro da mulher, retém seus documentos, destrói objetos pessoais ou impede que ela trabalhe. Por fim, surge a violência física — empurrões, tapas, estrangulamentos, queimaduras, ou até mesmo a morte. Em algumas situações, a violência sexual também está presente, configurando um cenário de completa violação da dignidade humana.
No Paraná, a realidade acompanha o cenário nacional. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, em 2024 foram mais de 30 mil registros de violência doméstica no estado. Ainda que os números pareçam grandes, especialistas afirmam que a subnotificação é enorme, já que muitas mulheres não denunciam por medo, vergonha ou dependência emocional e financeira do agressor.
Em Umuarama, a resposta a essa realidade tem ganhado força com a atuação do CRAM — Centro de Referência de Atendimento à Mulher, que oferece acolhimento psicológico, social e jurídico às mulheres em situação de violência. O CRAM atua de forma gratuita e sigilosa, sendo uma referência em Umuarama e na região, no enfrentamento à violência de gênero. O centro é parte fundamental da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência, composta também por Delegacias da Mulher, Defensorias Públicas, Ministério Público, assistência social e a Casa da Mulher Brasileira.
Para quem está em situação de violência ou conhece alguém que esteja, a denúncia é o primeiro passo para quebrar o ciclo. O canal Ligue 180 funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa, oferecendo orientações e encaminhamentos para serviços de apoio. Também é possível procurar diretamente a Delegacia da Mulher mais próxima ou buscar ajuda no CRAM de Umuarama.
CRAM DE UMUARAMA
Rua Aricanduva, 3860
Contato e whatsapp (44) 98402-9640

