O Ministério Público do Paraná, por meio dos núcleos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Maringá e Umuarama, deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Zero Um, que apura o possível envolvimento de policiais militares em crimes como concussão, corrupção ativa e passiva, entre outros.
Ao todo, foram cumpridos: 1 mandado de prisão preventiva, 9 mandados de busca e apreensão, 7 mandados de busca pessoal, 1 mandado de monitoração eletrônica, e 3 mandados de afastamento das funções públicas. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual e cumpridas nas cidades de Loanda, Santa Isabel do Ivaí, Planaltina do Paraná, Maringá e Sarandi, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Paraná, que acompanha as investigações desde o início.
As investigações começaram em setembro de 2024, após denúncias encaminhadas ao Gaeco de Maringá, que apontavam a possível participação de um oficial superior da Polícia Militar do Paraná e de soldados da corporação em diversos crimes militares. Segundo o MP, foi constatada uma estrutura criminosa estável e organizada, que teria sido montada por um comandante de Companhia Independente da Polícia Militar. O oficial é acusado de cobrar e receber propina de forma sistemática e recorrente, utilizando o cargo para intimidar subordinados e manipular o andamento de processos disciplinares, inquéritos policiais militares e até transferências internas.
As apurações revelaram ainda a atuação de um operador financeiro, responsável por viabilizar as movimentações ilícitas dentro do esquema. Durante o cumprimento dos mandados, o major Alexandro Marcolino Gomes, atual comandante da 3ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Loanda, foi preso preventivamente. O oficial, que já atuou no 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), foi detido em um condomínio de alto padrão em Maringá. Outro policial militar também foi preso na manhã desta quinta-feira por envolvimento no esquema. O major Alexandro Marcolino Gomes havia sido recentemente condecorado com uma Medalha da maior honraria concedida pela PM de Cianorte, em reconhecimento ao “comprometimento, dedicação e excelência no cumprimento da missão policial militar”.
O nome “Operação Zero Um” faz referência ao tratamento hierárquico dado ao superior responsável pelo esquema, que era chamado de “zero um” no momento do pagamento das propinas. Em nota, o Ministério Público do Paraná informou que as medidas visam aprofundar a apuração dos indícios de práticas criminosas por parte dos policiais militares investigados. As investigações seguem em andamento.
