Segundo o 1º Relatório de Transparência Salarial divulgado recentemente no Brasil, as mulheres continuam enfrentando uma disparidade salarial alarmante em relação aos homens. O estudo, apresentado pelos ministérios das Mulheres e do Trabalho e Emprego (MTE), revela que as mulheres recebem, em média, 19,4% menos do que seus colegas do sexo masculino.
O levantamento abrangeu 49.587 empresas com mais de 100 funcionários, cumprindo a exigência da Lei nº 14.611, que versa sobre a Igualdade Salarial e Critérios Remuneratórios entre Mulheres e Homens. Essas empresas, que representam uma força significativa no mercado de trabalho brasileiro, empregam cerca de 17,7 milhões de pessoas, evidenciando a relevância dos dados obtidos.
Uma análise mais detalhada revela que a diferença salarial entre os gêneros varia conforme os setores e níveis hierárquicos. Em posições de liderança, como dirigentes e gerentes, essa disparidade chega a alarmantes 25,2%, destacando a persistência das barreiras enfrentadas pelas mulheres em sua busca por equidade salarial e reconhecimento profissional.
O relatório também aponta para a interseccionalidade da desigualdade de gênero com a questão étnico-racial. Mulheres negras, em particular, enfrentam uma dupla discriminação, recebendo salários ainda menores em comparação com as mulheres brancas e homens negros e não negros. Essa disparidade é gritante, com as mulheres negras recebendo em média 49,7% menos do que as não negras. Embora o relatório identifique algumas empresas que adotam políticas de incentivo à contratação e promoção de mulheres, como flexibilização do regime de trabalho para apoio à parentalidade, ainda há muito a ser feito. Apenas uma parcela minoritária das empresas possui políticas voltadas para grupos específicos, como mulheres LGBTQIAP+, mulheres com deficiência e vítimas de violência.
Os dados regionais destacam uma ampla variação na desigualdade salarial entre os estados brasileiros. Enquanto estados como Piauí, Sergipe e Distrito Federal registram desigualdades menores, com diferenças salariais em torno de 6,3% a 8%, outros, como Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, apresentam desigualdades alarmantes, ultrapassando os 35%.
O relatório deixa claro que a desigualdade salarial de gênero persiste como uma realidade preocupante no Brasil, exigindo medidas urgentes para promover a equidade salarial e de oportunidades no mercado de trabalho. A implementação efetiva de políticas inclusivas e a conscientização contínua são essenciais para garantir um futuro mais justo e igualitário para todas as trabalhadoras brasileiras.
