Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal deflagram operação contra organização criminosa especializada em saques de cargas

Com base em investigações de alta complexidade, a Polícia Civil identificou que o grupo criminoso usava de uma Organização Não Governamental, uma ONG, para tentar legitimar a origem das cargas saqueadas.

Por Redação
08/02/2024 13:50
Atualizado há 3 anos ago

A Polícia Civil do Paraná e a Polícia Rodoviária Federal deflagraram na manhã desta quinta-feira, 8 de fevereiro, uma operação contra uma organização criminosa ligada a saques de cargas. Ao todo, foram cumpridos 33 ordens judiciais. Estima-se que o prejuízo causado às vítimas seja de mais de R$ 3 milhões de reais.

Dentre as ordens judiciais, estão sete sequestros de veículos, dez mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão. A ação acontece simultaneamente em três cidades do litoral do estado e também em São Bento do Sul, SC.

O modus operandi dos criminosos acontecia da seguinte forma nas rodovias, eles aproveitavam-se de panes nos caminhões, acidentes ou trânsito parado para cometerem as ações. As cargas geralmente eram de soja ou fertilizantes. Durante os crimes, os autores rompiam os lacres que travavam o compartimento dos caminhões e derramavam a carga na rodovia, e posteriormente, outros integrantes recolhiam a carga do chão.

Com base em investigações de alta complexidade, a Polícia Civil identificou que o grupo criminoso usava de uma Organização Não Governamental, uma ONG, para tentar legitimar a origem das cargas saqueadas. A referida ONG, que trata de indivíduos com dependência química, era acionada para recolher as cargas despejadas no solo, porém, na sequência, eram entregues aos integrantes da quadrilha. Foram identificados diversos repasses de valores provenientes do líder do grupo criminoso para a Instituição, como contrapartida pelas cargas recolhidas. As investigações apontaram que a organização não era responsável apenas pelo recolhimento, mas era utilizada pelos criminosos para mascarar a origem ilícita das cargas, que, em seguida, eram vendidas pelo grupo criminoso sem a devida emissão de nota fiscal ou a partir de notas fiscais fraudulentas. A PC também constatou que a ONG não emitia notas fiscais referentes às cargas recolhidas, entregues ao grupo criminoso, que, como contraprestação financeira, realizava doações simuladas à organização. Dentre os crimes investigados estão furto qualificado, receptação, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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