
Um incidente de agressões e ameaças com faca na noite do último domingo, 31, na Praça Miguel Rossafa, envolvendo pessoas em situação de rua, deixou alguns cidadãos assustados e gerou questionamento às autoridades sobre a segurança. O local é muito frequentado por famílias com crianças, principalmente nos finais de semana.
A situação da população de rua é acompanhada de perto pelo município, por meio do Centro Pop e de instituições socioassistenciais, bem como pelas forças de segurança. As abordagens respeitam os direitos humanos e o direito constitucional de ir e vir. Apenas em caso de violência e risco à vida a polícia ou a Guarda Municipal podem intervir com mais rigor.
O secretário de Assistência Social, Amós Westphal, lembra que as abordagens são rotineiras com o pessoal do Centro Pop. “O município oferece acolhimento com uma equipe multidisciplinar, que conta com educador, assistente social e psicólogo, mas o acesso aos serviços é voluntário, ou seja, depende do interesse e da aceitação do morador de rua”, explicou.
O Centro Pop oferece café da manhã, café da tarde e um local adequado para lavar e guardar as roupas, além de banho. “Após a triagem oferecemos ainda passagens de volta à cidade de origem aos interessados, com adesão espontânea”, acrescentou o secretário.
Na última semana a Secretaria de Assistência Social e o Centro Pop realizaram abordagens com a presença de representantes do Ministério Público do Paraná, do Ministério Público do Trabalho, das defensorias públicas do Estado e da União e da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), além da Secretaria de Saúde e da Guarda Municipal.
O trabalho começou na rodoviária velha e entorno do terminal urbano, depois seguiu para as principais praças e abrigos da cidade. Segundo o secretário Amós, a ideia é buscar soluções para o problema social e dividir responsabilidades. “Pedimos desculpas às famílias que estavam na Miguel Rossafa. Há situações isoladas, como neste caso, que nem sempre é possível evitar”, disse.
O secretário municipal de Segurança, Trânsito e Mobilidade Urbana, Valdecir Capelli, acrescentou que a presença das forças de segurança deverá ser intensificada na praça e em outros pontos que concentram pessoas em situação de rua. “Vamos ampliar as patrulhas da Guarda Municipal e pedir o apoio da PM para tem uma presença constante nesses locais, principalmente nos horários mais movimentados”, afirmou.
Capelli recomenda à população denunciar de imediato à polícia qualquer situação de ameaça ou constrangimento, tanto nas praças quanto em portas de comércio ou outros locais. A abordagem identificou também problemas de saúde, como dependência química e alcoolismo, que devem ter acompanhamento. O município está estruturando um consultório de rua para esse público e para a população indígena.
O coordenador do Centro Pop, Roger Bruno Giopatto, afirmou que a comissão observou o trabalho e as dificuldades a equipe no do dia a dia. “Não houve muito contato direto com a população de rua na ação da última semana. Foi mais uma observação sobre o trabalho, como ocorrem as abordagens, o primeiro contato, e também como é o atendimento das instituições parceiras do município às pessoas que aceitam acolhimento”, explicou.
As visitas foram estendidas à instituição Santa Dulce dos Pobres, ao Centro Pop e posteriormente à Casa da Sopa Dr. Leopoldino e à Apromo, que diariamente atendem à população em situação de rua, e em breve haverá uma reunião com o prefeito Celso Pozzobom, secretários e membros de entidades que participaram da ação para aprofundar as discussões em busca de melhorias no atendimento à população de rua e também aos indígenas, que quando passam pela cidade se alojam em situação precária com crianças perto de ambientes frequentados por usuários de drogas.
