Servidores da assistência social do município e representantes de entidades socioassistenciais participaram da palestra “Revelação Espontânea”, nesta quarta-feira, 4, no Anfiteatro Haruyo Setogutte, com o objetivo de sensibilizar e capacitar profissionais que atuam na rede de proteção sobre o acolhimento à criança e ao adolescente vítima da violência. A realização é da Secretaria Municipal de Assistência Social e a abertura contou com a presença do prefeito Celso Pozzobom.
A secretária da Assistência Social, Izamara Amado de Moura, chamou a atenção dos presentes para a importância do acolhimento profissional à criança vítima ou testemunha de violência sexual, física ou psicológica e moral, compreendendo a revelação espontânea – quando a vítima informa o caso a alguém de sua confiança –, conforme diretrizes da Lei 13.431/2017.
“Com o apoio de psicólogas que estudaram o tema a fundo, orientamos os servidores sobre como agir quando uma criança ou adolescente revela um abuso sexual ou físico. Existe um protocolo de procedimentos que, se for seguido, pode atenuar os efeitos e consequências da violência na vida da vítima, preservando-a de mais sofrimento”, explicou Izamara. “O que não pode acontecer é a criança ficar repetindo o relato a várias pessoas e acabar exposta”, acrescentou.
Quando um caso de violência infantil vier à luz, seja nas unidades assistenciais, nas escolas, no sistema de saúde ou segurança, a recomendação é que a vítima seja encaminhada ao Conselho Tutelar onde uma psicóloga fará a escuta especializada e encaminhará o caso ao Ministério Público, sem a necessidade de maior exposição. “Quanto mais vezes a criança tiver de relatar o fato, mais traumático ele se torna, além de prejudicar a apuração ou até levá-la a silenciar, permitindo que a situação persista e os causadores não sejam responsabilizados”, orientou a secretária.
O prefeito Celso Pozzobom disse que é preciso cuidar melhor das crianças, bem como dos idosos e das mulheres, porque a escalada da violência é crescente. “Nunca vimos tantos casos de agressão, abusos sexuais e feminicídios. Por isso, é importante promover eventos de capacitação para o enfrentamento dessas situações de forma que as vítimas sejam preservadas, protegidas e possam se recuperar para ter uma vida o mais normal possível”, comentou.
Pozzobom destacou o trabalho das entidades, da rede de assistência e disse que a discussão precisa ser estendida à educação, à saúde e também ao setor de segurança e justiça. “É muito triste o que temos visto. Precisamos agir e para isso é fundamental estar capacitado e qualificado para ampliar o alcance e o resultado das ações”, afirmou.
A palestra foi ministrada pelas psicólogas Elaine Florian, que realiza a escuta especializada dos casos que chegam ao Conselho Tutelar, e Gesica Aparecida Giopato Piraccini, do Programa Família Acolhedora.

