Defesa de “Mamute” pede revogação da prisão e diz ter provas de que ele estava em São Paulo durante chacina de Icaraíma

A estratégia da defesa é utilizar esses elementos para tentar demonstrar que “Mamute” não estava no local dos crimes.

Por Redação
19/08/2026 16:11
Atualizado há 1 mês ago
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A defesa da família Buscariollo divulgou nesta quarta-feira (19) uma nota oficial após a prisão de Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Antônio Buscariollo e Carlos Henrique Buscariollo, investigados no caso que ficou conhecido como a chacina de Icaraíma, que terminou com a morte de quatro homens em agosto de 2025.

As prisões ocorreram no Estado de São Paulo, quase um ano após o crime. Antônio e Paulo Ricardo foram localizados em uma propriedade rural de Rio das Pedras (SP), enquanto Carlos Henrique, conhecido como “Mamute”, foi preso em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, Carlos Henrique é apontado pela Polícia Civil do Paraná como mentor ou mandante das execuções, enquanto Antônio e Paulo são apontados como envolvidos diretamente na execução das vítimas.

Na nota divulgada nesta quarta-feira, o advogado Renan Nogueira Farah, que representa a família Buscariollo, afirma que os três foram apresentados em audiência de custódia após o cumprimento dos mandados de prisão expedidos pela Justiça do Paraná.

A defesa afirma que apresentou seus requerimentos durante a audiência e deu atenção especial à situação de Carlos Henrique.

Segundo o advogado, foram apresentados “elementos objetivos relacionados à sua localização no Estado de São Paulo no período dos fatos investigados”.

A estratégia da defesa é utilizar esses elementos para tentar demonstrar que “Mamute” não estava no local dos crimes no período investigado. Por isso, o advogado informou que irá apresentar diretamente ao Juízo de Icaraíma, responsável pela decretação das prisões, um pedido de revogação da prisão de Carlos Henrique.

A defesa afirma que essa argumentação não foi criada depois da prisão. Na nota, o advogado destaca: “A tese defensiva relacionada à localização de Carlos Henrique não surgiu após sua prisão.”

Ainda de acordo com a defesa, medidas judiciais já haviam sido adotadas em 2025 para preservar provas que poderiam ajudar a comprovar a localização de Carlos Henrique durante o período investigado.

Entre os elementos citados estão documentos fiscais referentes a compras realizadas em Santa Bárbara d’Oeste, informações relacionadas ao cumprimento de serviço comunitário na mesma cidade e pedidos para obtenção de imagens de câmeras de segurança.

Um dos pontos destacados pela defesa envolve imagens do Atacadão de Santa Bárbara d’Oeste. Segundo o advogado, o próprio Juízo de Icaraíma teria reconhecido anteriormente que essas imagens poderiam contribuir para o esclarecimento dos fatos e determinado providências para que o material fosse requisitado.

A defesa, entretanto, faz uma ressalva importante: afirma que ainda não teve acesso integral ao inquérito policial e, portanto, não sabe qual foi o resultado das diligências realizadas para obtenção dessas provas.

Na nota, o advogado afirma: “O que se pede é justamente que esses elementos sejam verificados e disponibilizados antes que se conclua pela necessidade de manutenção da prisão.”

O crime aconteceu em agosto de 2025, quando quatro homens foram mortos após se deslocarem até a região para tratar de uma dívida de aproximadamente R$ 255 mil relacionada à negociação de uma propriedade rural.

Ao longo da investigação, Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo passaram a ser considerados pela Polícia Civil como os principais suspeitos do crime e chegaram a ser incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, enquanto permaneciam foragidos.

A defesa também questiona a possibilidade de que a gravidade atribuída ao caso seja automaticamente estendida a todos os integrantes da família. Na nota, afirma que continuará trabalhando para que “a situação de cada investigado seja analisada individualmente”.

O advogado também declara que a defesa “respeita o trabalho das autoridades responsáveis pela investigação”, mas pretende buscar judicialmente a análise das provas que, segundo ele, podem demonstrar que Carlos Henrique estava em São Paulo durante o período dos assassinatos.

A audiência de custódia realizada nesta quarta-feira não analisou, segundo a defesa, o mérito da decisão que determinou as prisões. O magistrado teria esclarecido que não caberia a ele rever ou revogar a decisão de prisão expedida pelo Juízo de Icaraíma.

Dessa forma, o próximo passo anunciado pela defesa será justamente levar os argumentos ao juiz responsável pelo processo em Icaraíma, com destaque para o pedido de revogação da prisão de Carlos Henrique Buscariollo, o “Mamute”.

 

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